A fusão entre empresas e grupos empresariais ou
incorporação de um pelo outro é comum, quase nunca por opção, mas para manter a
sobrevivência de ambas ou de uma delas.
A recente tentativa de fusão entre o grupo Pão de
Açúcar com o Carrefour seria absolutamente normal não fosse a tentativa de
despejar uma montanha de dinheiro púbico para viabilizá-la, próxima de seis
bilhões de reais em financiamento, que viria em financiamento pelo Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES.
Os contrários ao financiamento argumentavam
exatamente que a política desenvolvimentista social, intrínseca ao Banco, não respaldaria
um empréstimo dessa magnitude e para empresas do porte das envolvidas. Já pelo
lado dos favoráveis, além de defenderem que haveria a criação de novas vagas, garantiria
a manutenção dos empregos atuais. Cabe destaque a ênfase com que o senador
Lindberg Farias fez numa sessão do Senado para convencer aos contrários do
acerto com a justificativa principal de que estaria resguardado o amparo
social, sem mencionar a razão por que a fusão geraria os empregos, uma vez que
as empresas já são estruturadas e já empregam. Além disso, geralmente o
monopólio traz efeito contrário, pois costuma extinguir vagas.
Caso o empréstimo tivesse se concretizado, teriam
sido entregues a dois gigantes da iniciativa privada seis bilhões do dinheiro
da sociedade brasileira que, como compensação imediata, teria apenas o aumento
de preço em consequência da concentração de mercado e por falta de concorrência.

